Piketty, duas críticas e um convite

Livro propõe prescrição para transcender capitalismo e desigualdades

 

 

Por Philip Yang — Para o Valor, de São Paulo

 

Só deveria haver uma única razão para você deixar de ler 'Capital e Ideologia', nova obra de Thomas Piketty – o medo de pensar e de especular sobre como poderia ser uma sociedade menos desigual, mais justa. Mesmo o mais desinteressado pelo tema, o mais inflexível dos conservadores, ou o mais ortodoxo dos liberais, não deixará de apreciar a reflexão histórica, política e sociológica (e sim, também econômica) contida neste livro admirável, que na edição brasileira ostenta 1.056 páginas. Desde logo alerto o leitor: nesta breve resenha, farei rasgados elogios à obra, construirei duas críticas e, a partir delas, ousarei apresentar um convite público ao autor.

'Capital e Ideologia' traz um argumento simples: as desigualdades – econômicas (de renda ou patrimônio), políticas (de poder em processos de decisão coletiva, públicos ou privados), ou sociais (de acesso a bens e serviços públicos como educação e saúde) – não são produto natural da economia ou da tecnologia; resultam de construções humanas, políticas. Na lógica do autor, para entendermos a desigualdade, devemos compreender antes de mais nada as ideologias, sistemas de ideias que, através dos tempos, buscaram justificá-la.

Mas o título carrega ambição muito maior. Não se trata "apenas" de fazer uma descrição analítica do capitalismo e da desigualdade; trata-se sobretudo de propor uma prescrição para transcendê-los. Nas palavras de Piketty, o objetivo do livro é "convencer o leitor de que é possível se apoiar nas lições da história para definir uma norma de justiça e igualdade mais exigente em matéria de regulação e redistribuição da propriedade". A frase que abre o milheiro de folhas dá o tom da jornada que vem pela frente: "Toda sociedade humana precisa justificar suas desigualdades: tem de encontrar motivos para a sua existência ou o edifício político e social como um todo corre o risco de desabar."

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