Plano de R$ 4 bi pretende levar 20 mil famílias para o centro de SP até 2019

Prefeitura e Governo estimam que serão necessários R$ 3 bilhões em investimentos privados

06/04/2013 | 2h02

Tiago Dantas - O Estado de S. Paulo

 

Após tentar induzir a revitalização do centro paulistano por meio da instalação de grandes equipamentos culturais e de projetar a concessão de 45 quarteirões da região à iniciativa privada por meio da Nova Luz, governo do Estado e Prefeitura prometem agora a construção de 20 mil moradias. Se o cronograma for seguido, o projeto Casa Paulista será concluído em 2019.

 

Para tirar o plano do papel serão necessários R$ 4,6 bilhões, segundo a Secretaria Estadual de Habitação. Investidores privados serão responsáveis pelo aporte de cerca de R$ 3 bilhões, enquanto Prefeitura, Estado e União, com crédito do programa Minha Casa Minha Vida, vão arcar com o restante. A previsão do governo é de que o edital seja lançado em junho e o contrato seja assinado em outubro. Em dois anos, os primeiros prédios devem ser entregues. Quatro anos depois, todos estarão prontos.

 

Os projetos ainda serão detalhados, mas as diretrizes foram escolhidas pelo poder público. Os imóveis serão separados por faixas de renda, mas, no mesmo quarteirão, haverá famílias que ganham de R$ 755 a R$ 10.848,00, em um modelo de condomínio aberto. Os térreos deverão receber comércio e serviços. Além disso, o empreendimento prevê a construção de escolas, estacionamentos, passarelas e alargamento de calçadas.

 

Em um dos lotes, localizado entre a Estação Júlio Prestes, a Rua Cleveland e a Avenida Rudge, há até a ideia de se fazer uma clínica de atendimento a viciados em crack. "O Casa Paulista é a negação de dois modelos ruins de habitação que encontramos na cidade e são feitos por governo e mercado: o modelo BNH, que causa bolsões de pobreza, e o modelo medieval, cercado por muros, que exclui a vida urbana", afirma o arquiteto Philip Yang, fundador do Instituto Urbem, responsável pelo projeto urbanístico da proposta.

 

Terrenos. Yang acredita que o projeto depende da articulação de dois movimentos: o repovoamento do centro e a recuperação de áreas industriais ociosas. Ao mapear a região, os arquitetos do instituto encontraram dezenas de imóveis sem uso próximos à malha metroferroviária. A desapropriação desses locais pode ser um dos entraves para o sucesso do projeto. Mas, para tentar evitar isso, foram escolhidos imóveis que ficam dentro de Zonas Especiais de Interesse Social (Zeis), conforme o Plano Diretor Estratégico em vigor.

 

Um dos setores do empreendimento acompanha a linha da Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM) entre os Viadutos Pacaembu e Engenheiro Orlando Murgel, na Barra Funda. Ao aproximar o imóvel do transporte, a ideia é reduzir os deslocamentos. A região da Subprefeitura da Sé, outra das beneficiadas pelo projeto, concentra 17% da oferta de emprego da cidade, embora reúna 3% dos moradores, segundo o prefeito Fernando Haddad (PT). "Queremos que o nosso centro funcione o dia todo. Acho que vamos fazer uma intervenção mais cirúrgica, que pode conduzir uma transformação na região."

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